Flotilha. UE sem consenso para sancionar ministro israelita Ben-Gvir
Itamar Ben-Gvir foi criticado no mês passado pelo tratamento que deu a ativistas de uma flotilha humanitária destinada à Faixa de Gaza, entre os quais se encontravam dois médicos portugueses.
Os ministros dos Negócios Estrangeiros da UE não chegaram a um consenso para aprovar sanções contra o ministro da Segurança Nacional de Israel, Itamar Ben-Gvir. A informação foi avançada esta segunda-feira pela chefe da diplomacia da União Europeia, Kaja Kallas.
"No mês passado, os ministros concordaram em sancionar colonos israelitas violentos e personalidades do Hamas. Muitos Estados-membros também propuseram sancionar o ministro Ben-Gvir, mas não se chegou a consenso hoje", indicou a chefe da diplomacia da União Europeia (UE), Kaja Kallas, em conferência de imprensa no final de uma reunião dos ministros dos Negócios Estrangeiros do bloco, no Luxemburgo.
Vários Estados-membros, como Espanha ou Portugal, têm apelado para que a UE sancione os ministros israelitas de extrema-direita Bezalel Smotrich e Itamar Ben-Gvir, o que requer a aprovação por unanimidade dos 27 Estados-membros e tem sido bloqueado por países como a República Checa, Bulgária ou Hungria.
No caso de Ben-Gvir, os apelos para que fosse sancionado intensificaram-se no último mês, depois de terem sido divulgados vídeos onde aparecia a provocar vários ativistas, incluindo portugueses, da flotilha Global Sumud, destinada à Faixa de Gaza, que tinham sido detidos por Israel.
Perante a divulgação dessas imagens, França decidiu proibir a entrada de Ben-Gvir no seu território, enquanto Itália abriu uma investigação por suspeita de sequestro e tortura.
Outro dos temas que foi hoje discutido pelos ministros dos Negócios Estrangeiros da UE relacionava-se com a restrição total ou parcial do comércio com os colonatos israelitas na Cisjordânia.
Perante os jornalistas, Kaja Kallas referiu que vários Estados-membros pediram à Comissão Europeia que apresente propostas para restringir o comércio, uma vez que a política comercial é uma prerrogativa do executivo comunitário.
"Vou transmitir este pedido e pedir à Comissão para preparar, antes do próximo Conselho de Negócios Estrangeiros, uma lista de medidas comerciais possíveis, incluindo para prevenir a importação de bens provenientes de colonatos ilegais", referiu.
Questionada se lhe parece que, no geral, há um consenso entre a UE quanto à necessidade de restringir o comércio com esses colonatos, Kallas respondeu que os ministros precisam de saber quais são as opções que estão em cima da mesa, pelo que é necessário que a Comissão Europeia apresente propostas.
"Eu vou levar esta matéria ao Colégio [de Comissários] para que a discutamos, porque ficou patente na sala a necessidade de obter respostas para as questões que foram levantadas. Além disso, há também a questão de saber como é que os Estados-membros devem atuar relativamente aos produtos que já se encontram atualmente no mercado", referiu.
c/ Lusa